Podcasts e seus formatos

Um dia, lá em 2007 eu estava conversando com um amigo do trabalho sobre investimento, educação financeira, poupança e economia, essas coisas de quando você vira adulto. Esse amigo me indicou um livro chamado “Pai Rico, Pai Pobre“, e obviamente eu fui pesquisar. Quando pesquisei pra poder comprar, um dos resultados foi “Nerd Rico, Nerd Pobre – NerdCast“.

Não fazia ideia que site era aquele, muito menos que aquilo era um podcast. Foi aí que baixei o .zip (não podia baixar .mp3 no trabalho) e coloquei pra tocar. No começo não entendi muito bem, por que um cara gritou LAMBDA LAMBDA LAMBDA NERD, as apresentações e a leitura de email. Percebi que era como se fosse um programa de rádio e ouvi tudo. No mesmo dia baixei os episódios anteriores, afinal já tinha ouvido spoilers deles nos emails.

Comecei a acompanhar semanalmente e toda sexta-feira minha alegria era baixar o Nerdcast (não sabia nem que chamava podcast) e conversar com outros amigos do trabalho que introduzi nesse mundo. Os episódios foram passando, eu passava algum tempo sem ouvir alguns, depois maratonava, e fui descobrindo que existiam outros programas como aquele. E assim fui entrando nessa mídia cada vez mais. Hoje o podcast faz parte da minha vida. Posso dizer que sou um podcaster e sou muito feliz com isso.

Em 2012 o Nerdcast lançou o áudio-drama T-zombie. Foi aí que eu pensei: “Seria foda ter um podcast todo assim hein“, e fiquei com isso na cabeça. Até conhecer o Anticast e com ele o Projeto Humanos. Foi aí que percebi que podcast não precisava ser o “formato Jovem Nerd”. O áudio podia ser o que eu quisesse. Podcast é só a forma de entregar o conteúdo. Assim como existe, no youtube, canais de gameplay, canais de esquete, canais de reaction, o podcast não precisava ser 4 pessoas contando histórias da vida durante 1 hora. Foi assim que conheci novos formatos de podcast. Foi assim que surgiu meu podcast de storytelling, o 1986. Essa vontade de fazer algo diferente.

Mas talvez pra você, ouvinte (ou produtor) de podcast, deve ser estranho ouvir isso: “mas como assim não é só o formato Jovem Nerd?” Claro que eles formataram o podcast nacional, e sem dúvidas são os grandes players dessa mídia. Mas podemos e devemos ter versões e formatos diferentes. Aqui destaco alguns que tenho mais intimidade.

Bate Papo

Esse é o formato mais conhecido, e antes que pareça, não sou contra ou algo assim, gosto bastante, tenho até amigos que são! Esses programas são bater papos com amigos sobre algo de se entende ou gosta. Não necessariamente tem que ser algo engraçado ou descontraído. Jovem Nerd, 99 vidas, Não Ouvo, Braincast, Treta Talks, GugaCast, entre outros tem essa pegada “humorística”. O Rebobinando fala de cultura pop de uma maneira diferente do habitual, outro excelente podcast também nesse formato, mas trata de assuntos sérios é o Mamilos.  Entram também nesse formato podcasts como o Xadrez Verbal, que fala sobre política internacional, notícias e acontecimentos do mundo.

Storytelling

Aqui entra uma série de podcasts diferentes. O storytelling é uma forma de roteiro, um estilo de escrita, muito usado em jornalismo, cronicas, etc. Um podcast storytelling você vai ouvir (ou contar) uma história. O storytelling pode ser jornalistico, como é o Projeto Humanos. Pode ser um audio-drama, como é o 1986 e o Welcome to Night Vale. Ou apenas alguém falando sobre, como é o Abertura Total.

Educacional

Podcasts Educacionais podem ser tanto um complemento de aula ou aulas e cursos inteiros. Existem vários programas de Podcasts de EaD (ensino à distância), podem ser muito explorados, qualquer aula que não exija muita informação visual é capaz de ser transformada em podcast. Existem vários podcasts de cursos de idiomas, cursos de economia entre vários outros temas.

Programas de Rádio

Esse formato é meio controverso na podosfera, algumas rádios extraem trechos de programas e distribuem como podcast. Algumas pessoas acham que não é podcast, porque não foi pensado como podcast. Se a gente for pela semântica da palavra, podcast é qualquer arquivo de áudio transmitido por um feed, então programas de rádio também podem ser podcasts.
De certa forma, podemos encaixar aqui também, podcasts que parecem ser programas de rádio, como o Travessia, que fala sobre música brasileira e toca essas músicas, e o Loop Matinal, que traz diariamente notícias do mundo da tecnologia.

Óbvio que existem outros formatos, essa lista não é definitiva nem regra.
O importante é que você que quer produzir um podcast conheça os formatos e ache o formato que mais te agrade! E você que é um ouvinte, incentive novos formatos, divulgue e conheça esses podcasts que tentam fugir do padrão!